O que o trabalho significa para você?

    A cada dia que passa, sinto – principalmente nos universitários e jovens profissionais – o aumento da busca por um trabalho com propósito. Nas redes sociais, livros, capas de revista, no trabalho, no happy hour; em qualquer lugar, este tema está presente. É possível até mesmo buscar em websites especializados, empresas mais indicadas para seu perfil, como  o 99jobs.com, cujo objetivo é sugerir oportunidades de trabalho e organizações  baseado em seus valores e crenças.

    Mas por que será que isso tem acontecido? No livro How to Find Fulfilling Work, Roman Krznaric, explica que diferente da época de nossos avós, hoje o trabalho possui importância social e passou a ser uma fonte de significado em nossas vidas. Outro ponto relevante, é a diversificação de tipos e modalidades de trabalho.

    Frente a tantas possibilidades, nos sentimos extremamente pressionados a fazer uma boa escolha e isso nos frustra. É o que Barry Schwartz, psicólogo americano, chama de o paradoxo da escolha.

    Eu mesma vivenciei tudo isso. Desde pequena, sempre acompanhei a dedicação da minha mãe em projetos sociais com a comunidade do bairro em que morávamos. Lembro muito bem do movimento iniciado pelo Betinho, a Ação da cidadania contra a fome, a miséria e pela vida, e como isso inspirou tais projetos.

    Por outro lado, meu pai trilhava a carreira de executivo em uma multinacional de grande porte. Sempre tive muito orgulho de sua trajetória, de como ele batalhou para chegar onde chegou, e do tamanho do impacto de suas ações dentro deste universo.

    Estes dois exemplos me inspiraram e ajudaram a encontrar o meu propósito, aquilo que fazia meus olhos brilhar e me incentivava a construir um mundo melhor. A ideia era unir a minha vontade de ajudar a sociedade, utilizando todo o potencial presente nas empresas.

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    O primeiro desafio que enfrentei foi a escolha da minha profissão. Sempre amei biologia; porém, na época não existiam grandes oportunidades de trabalho para biólogos dentro das companhias. Sendo assim, segui com o curso de engenharia. Não durou mais do que um ano… Advinha? Decidi então correr o risco, e fui fazer o que eu mais queria: a tão sonhada biologia.

    Valeu muito a pena; lógico que não foi nada fácil. Junto com o último ano da faculdade, fui aceita para já iniciar um MBA. O meu objetivo era complementar o meu curso com conhecimento na área de gestão, e conhecer profissionais para ampliar a minha rede de contatos, facilitando assim, a minha entrada no mercado de trabalho.

    E não é que esta estratégia deu certo! Seis meses depois da minha colação de grau, eu estava empregada. Trabalhei quatro anos com a implementação de sistemas de gestão ambiental na construção e operação de shoppings center.

    Quando tudo parecia caminhar bem, eis que surge mais um desafio, fui “picada” pelo bichinho da inquietação. Foram quatro anos em contato com os lojistas, e fiquei tentada a ser dona do meu próprio negócio.

    Manual desenvolvido pelo Alexandre Scoth do Instituto Melhorando pessoas, que já treinou mais de 20 mil pessoas na aviação e tem excelentes materiais específicos para processos seletivos e cursos preparatórios. Vale muito a pena conferir e estar preparado para os processos seletivos.

    Mais uma vez, decidi assumir o risco. Foram muitas pesquisas, muito suor e noites em claro para tomar uma decisão. Acabei optando por abrir uma franquia e respeitando o meu propósito, escolhi um segmento importante para a qualidade de vida das mulheres.

    Posso afirmar que esta foi a minha melhor escola, pois além de aprender a administrar um negócio, aprendi a ser uma pessoa melhor, a ter resiliência, tolerância e mais empatia.

    Foi muito bom ter experimentado, pois assim foi possível identificar que não era isso que eu queria. Então decidi voltar ao mercado de trabalho, e durante as minhas buscas identifiquei uma oportunidade em uma empresa do segmento químico.

    Na verdade, a vaga era para uma Fundação empresarial, a qual, foi instituída e é mantida por esta empresa. Até aquele momento, nunca havia pensado em trabalhar no terceiro setor; e foi aí que decidi arriscar mais uma vez.

    E quer saber? Que sorte que tive em aceitar esta oportunidade! Era tudo o que eu queria, pois, além de atuar efetivamente na construção de um mundo melhor, ainda estaria contando com a infraestrutura do ambiente corporativo para potencializar tudo isso. Já faz quase sete anos que estou nesta Fundação.

    Iniciei a minha carreira como analista pleno, e hoje, sou gerente da área de Sustentabilidade Aplicada, cuja principal atividade é o desenvolvimento de estudos para avaliar os impactos socioambientais das empresas, direcionando assim a tomada de decisões mais assertivas para a promoção do desenvolvimento sustentável.

    Não posso deixar de falar sobre a experiência de poder trabalhar com pessoas que compartilham um mesmo propósito, aprendo muito a cada dia – com este time diverso na forma de pensar, agir, gênero e formação. Lá, temos desde biólogos e engenheiros, até psicólogos, advogados e publicitários.

    As decisões são sempre participativas, e as pessoas realmente se importam e se envolvem como se fossem donos da instituição. Além disso, diferente do ambiente corporativo, não há tanta competição entre as Fundações e Institutos, o que possibilita a constante troca de experiências, boas práticas e desenvolvimento de ações conjuntas entre as instituições. Neste contexto, vejo que as Fundações e Institutos possuem um papel super relevante na atração e retenção de talentos, quando se fala em propósito. Além disso, há uma grande oportunidade para que as empresas aprendam com este diferente formato de atuação do terceiro setor.

    E é isso que eu quero: continuar atuando neste ambiente, e poder contribuir para a evolução deste setor. Pelo menos por hora, pois assim como sinalizei no início desta reflexão, há muitas possibilidades neste mundão, e não sabemos quando e como iremos sentir vontade de seguir com a nossa busca novamente. O importante é sabermos de fato qual é o nosso propósito, e estarmos sempre dispostos a buscá-lo. Afinal, é certo que não podemos mudar a direção dos ventos, mas com certeza podemos mudar a direção das velas e sermos os capitães de nossas próprias vidas.

    Artigo escrito por Juliana Silva é gerente de Sustentabilidade Aplicada da Fundação Espaço ECO

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